Ageismo: você tem preconceito contra os mais velhos?

Você já ouviu falar sobre preconceito etário?

Preconceito etário, etarismo idadismo são termos usados para descrever opiniões desfavoráveis contra pessoas ou grupos de pessoas, motivado exclusivamente por sua idade.

O preconceito etário costuma atingir mais os adolescentes – que, frequentemente, recebem rótulos diversos – e as pessoas mais velhas. Nesta semana, vou falar especificamente sobre o preconceito dirigido aos idosos, o ageismo.

A palavra ageismo vem do inglês ageism e significa preconceito contra as pessoas idosas. Quem cunhou esse termo foi um cara brilhante, Robert Neil Butler. Ele nasceu em 1927, em Nova York e morreu aos 83 anos, em 2010, na mesma cidade.

 

O incômodo de Butler com a forma com que as pessoas se dirigiam aos mais velhos começou na faculdade de medicina. Robert percebeu em seus professores um jeito de tratar e se referir aos maduros que ele considerava inadequado e, em 1969, ele nomeou esse “jeito” e a palavra ageismo nasceu.

Mas, exatamente o que incomodou Robert?

Além de dar um nome a este preconceito etário, esse médico psiquiatra e gerontólogo destrinchou o problema e percebeu três elementos nele.

Esses elementos são:

– atitudes prejudiciais contra os mais velhos e contra o processo de envelhecimento;

 práticas discriminatórias contra os idosos;

– políticas e práticas institucionais que perpetuam os estereótipos contrários aos que já passaram dos 60 anos.

Robert Neil Butler fez muito mais que isso. Ele foi o primeiro diretor do National Institute on Aging e suas pesquisas foram responsáveis pelo entendimento que temos hoje a respeito da senilidade (envelhecimento acelerado pelas doenças). Ele nos evidenciou que é a senilidade não faz parte obrigatoriamente do processo de envelhecer, é possível envelhecer de forma saudável.

O primeiro departamento de Geriatria em uma faculdade de Medicina dos Estados Unidos também foi fundado por esse médico, em 1982, na Mont Sinai Medical Center, assim como o International Longevity Center (instituto internacional que tem o objetivo de educar as pessoas para viver mais e melhor).

Como acontece o ageismo em nossa sociedade?

Infelizmente o ageismo está difundido em diversos setores da nossa sociedade e não é difícil percebê-lo, caso queiramos ver. O que ocorre é que ele está tão arraigado, que às vezes não é notado como algo estranho e maléfico. Vou citar alguns exemplos:

– Toda vez que um engenheiro brilhante e experiente, por exemplo, não encontra mais colocação profissional, porque já passou dos 50 anos, estamos diante do ageismo;

– Toda vez que uma mulher é criticada porque resolveu assumir seus cabelos brancos ou suas rugas, o ageísmo está ali;

– Toda vez que a família acha que o pai, a mãe ou os avós, não deveriam começar um novo relacionamento ou uma nova carreira por causa da idade, essa família está agindo motivada pelo ageismo;

– Toda vez que a sociedade se utiliza de estereótipos para definir as preferências das pessoas mais velhas, ela fez isso porque é ageista.

Toda vez que não temos paciência com o ritmo menos acelerado dos mais velhos de dirigir, falar ou andar, isso é ageismo;

– Toda vez que nos referimos aos mais velhos de forma infantilizada, nós estamos sendo ageistas.

Existe um longo caminho para que este preconceito etário deixe de existir, mas cada jornada começa com um primeiro passo. Esse passo inicial deve ser dado por cada um de nós. Em um país que envelhece de forma tão acelerada, não há espaço para esses pensamentos e atitudes. Nós precisamos de todo mundo, com suas particularidades e experiências para darmos conta dos enormes desafios sociais que temos.

Já que não fui eu, e sim Robert Neil Butler quem começou essa história, deixarei o fim ao seu dispor, com uma enorme confiança que este fim poderá ser um belo começo.

“Os seres humanos precisam da liberdade de viver mudando, de inventar e reinventar a si mesmos, diversas vezes em sua vida.”